Piauí: Médico Embriagado Causa Acidente Que Vitimou Cinco Pessoas e Tem HC Negado Por Desembargador
Domingo, 10 de Junho de 2012

Carteira de habilitação do médico Marcelo Martins de Moura: ele queria ser solto, mas a Justiça negou.
O desembargador Erivan Lopes negou o
pedido de soltura do médico Marcelo Martins de Moura, 26 anos, acusado
de ter provocado o acidente que matou cinco pessoas da mesma família na
estrada de Campo Maior na madrugada do último sábado (9). A decisão diz
que o médico deve permanecer preso até a conclusão do inquérito.
Carteira de habilitação do médico Marcelo Martins de Moura: ele queria ser solto, mas a Justiça negou.
O desembargador disse que testemunhas e policiais que atenderam a
ocorrência afirmaram que o acusado apresentava visíveis sinais de
embriaguez e que se recusou a fazer o teste do bafômetro. "Ele, como
médico, sabe que dirigir após ingerir bebidas alcóolicas coloca em risco
a vida das pessoas", ressaltou Erivan Lopes.
CHOCOU O PI: RELEMBRE TODA A TRAGÉDIA NA BR-343
O Piauí inteiro ficou chocado com a tragédia da madrugada deste sábado. Ocorreu por volta das 3h50 da madrugada deste sábado em um trecho da BR-343, que liga a capital Teresina a cidade de Campo Maior (distante menos de 100km). Envolveu uma picape Hilux (placas OEG-3479) e um carro sedã Siena (NHW-6185) e teria sido ocasionado por uma ultrapassagem indevida feita pelo condutor da Hilux. De acordo com o policial rodoviário federal Wellington Batista Rodrigues, quem ocasionou a tragédia foi Marcelo Martins Moura, de 26 anos. Ele é médico e bastante conhecido em Teresina. Segundo testemunhas ele teria bebido,e, segundo consta, voltava sozinho de vaquejada no Parque Nina Alencar que teve apresentação da Banda chiclete com banana, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro depois que foi preso, momentos após o acidente. Autuado em flagrante, ele foi levado preso para um posto da PRF, depois para Central de Flagrantes e em seguida para o ProntoMed, onde encontra-se neste domingo. Responde por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O acidente matou as cinco pessoas que estavam no Siena. Uma família inteira passou o sábado recebendo os pêsames, chorando durante o velório realizado por todo o dia na cidade de Jardim do Mulato, interior do estado, onde viviam as vítimas. Morreram no acidente Leodivan Pereira Lima, de 45 anos de idade; Bernadete Maria Lima, de 50 anos; Leonidas Pereira Lima, 50 anos; Rita Teixeira Soares Lima, 40 anos (estes dois últimos eram casados); e Lorena Soares, 3 anos (era fil ha deste casal). Rita era filha do ex- prefeito da cidade de Jardim do Mulato Jeronimo Soares. Leodivan era motorista da ambulância da Prefeitura Municipal de Jardim do Mulato. Eles estariam em viagem para aproveitar o fim de semana no litoral do Ceará.
O Piauí inteiro ficou chocado com a tragédia da madrugada deste sábado. Ocorreu por volta das 3h50 da madrugada deste sábado em um trecho da BR-343, que liga a capital Teresina a cidade de Campo Maior (distante menos de 100km). Envolveu uma picape Hilux (placas OEG-3479) e um carro sedã Siena (NHW-6185) e teria sido ocasionado por uma ultrapassagem indevida feita pelo condutor da Hilux. De acordo com o policial rodoviário federal Wellington Batista Rodrigues, quem ocasionou a tragédia foi Marcelo Martins Moura, de 26 anos. Ele é médico e bastante conhecido em Teresina. Segundo testemunhas ele teria bebido,e, segundo consta, voltava sozinho de vaquejada no Parque Nina Alencar que teve apresentação da Banda chiclete com banana, mas se recusou a fazer o teste do bafômetro depois que foi preso, momentos após o acidente. Autuado em flagrante, ele foi levado preso para um posto da PRF, depois para Central de Flagrantes e em seguida para o ProntoMed, onde encontra-se neste domingo. Responde por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O acidente matou as cinco pessoas que estavam no Siena. Uma família inteira passou o sábado recebendo os pêsames, chorando durante o velório realizado por todo o dia na cidade de Jardim do Mulato, interior do estado, onde viviam as vítimas. Morreram no acidente Leodivan Pereira Lima, de 45 anos de idade; Bernadete Maria Lima, de 50 anos; Leonidas Pereira Lima, 50 anos; Rita Teixeira Soares Lima, 40 anos (estes dois últimos eram casados); e Lorena Soares, 3 anos (era fil ha deste casal). Rita era filha do ex- prefeito da cidade de Jardim do Mulato Jeronimo Soares. Leodivan era motorista da ambulância da Prefeitura Municipal de Jardim do Mulato. Eles estariam em viagem para aproveitar o fim de semana no litoral do Ceará.
LEIA A ÍNTEGRA DA DECISÃO DO DESEMBARGADOR ERIVAN
[ HABEAS CORPUS REPRESSIVO
PLANTONISTA: Des. Erivan Lopes
IMPETRANTES: Emilio Castro de Assunpção e Nayriane de Sousa Costa
PACIENTE: Marcelo Martins de Moura
IMPETRADO: Juiz de Direito Plantonista da Comarca de Teresina-PI
DECISÃO NO PLANTÃO
[ HABEAS CORPUS REPRESSIVO
PLANTONISTA: Des. Erivan Lopes
IMPETRANTES: Emilio Castro de Assunpção e Nayriane de Sousa Costa
PACIENTE: Marcelo Martins de Moura
IMPETRADO: Juiz de Direito Plantonista da Comarca de Teresina-PI
DECISÃO NO PLANTÃO
EMENTA
HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO NO PLANTÃO JUDICIÁRIO DO SEGUNDO GRAU
CONTRA DECISÃO QUE NÃO CONHECEU, POR IMCOMPETÊNCIA DO JUÍZO, DE PEDIDO
DE LIBERDADE PROVISÓRIA NO PLANTÃO DE PRIMEIRO GRAU. IMPOSSBILIDADE
MATERIAL DE REMESSA AO JUIZO COMPETENTE. PRISÃO DENTRO DO ESPAÇO DE
TEMPO FIXADO PELO ART. 2º, § 1º, DA RESOLUÇÃO Nº 11/2010 DO TJPI. ACESSO
À INSTÂNCIA IMEDIANTAMENTE SUPERIOR. PEDIDO CONHECIDO. LIBERDADE
PROVISÓRIA, COM OU SEM FIANÇA, OU MEDIDA CAUTELAR DIVERSA. CINCO
HOMICÍDIOS NA DIREÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR. OCORRÊNCIA DE DOLO EVENUAL.
POSSIBILIDADE. CRIME QUE, EM TESE, ADMITE PRISÃO PREVENTIVA. REQUISITOS
PRESENTES. LIMINAR INDEFERIDA.
DECISÃO MONOCRÁTICA
Os advogados Emilio Castro de Assunpção e Nayriane de Sousa Costa
impetram ordem de Habeas Corpus, com pedido de liminar, em favor de Marcelo Martins de Moura, e contra ato do MM. Juiz Plantonista de primeiro grau do dia hoje (09.06.2012), na Comarca de Teresina, Estado do Piauí.
Alegam, em resumo: que o paciente foi preso em flagrante no dia
09/06/2012 (hoje), por volta das quatro horas e quarenta minutos da
madrugada, por policiais rodoviários federaais de Teresina-PI, acusado
de ser o condutor do veículo Toyota Hilux, de placas OEG 3479-PI, que
colidira com o outro veículo Fiat Pálio, de placas NIQ – 8350 [sic]; que
o paciente retornava de um evento festivo em Campo Maior, trafegando
pela BR 343, em direção a Teresina, quando, na altura do Km 302, nas
proximidades da cidade de Altos-PI, dormiu ao volante, perdendo a
direção do veículo, o qual veio a colidir com o veículo das vítimas; que
os cinco ocupantes do Fiat Pálio [sic], contra o qual colidiu, sendo
dois homens, duas mulheres e uma criança, morreram no local da colisão;
que o paciente foi conduzido e autuado em flagrante, mas permanece sob
escolta no ProtoMed, em observação hospitalar; que foi autuado na
central de flagrantes de Teresina pelos crimes dos arts. 302, 304 e 305
do CTB; que a autoridade policial se negou a lhe arbitrar fiança, sendo
os autos do flagrante encaminhados ao Juiz Plantonista de Teresina; que
este deixou de analisar o flagrante, determinando a remessa dos autos à
Comarca de Altos-PI, local do evento; que a remessa só ocorrerá na
segunda-feira, quando o paciente já estará preso há três dias; que o
acidente teria sido uma fatalidade, devido ao seu cansaço físico; que
não teve a intenção de matar as vítimas; que é médico, sem antecedentes
criminais e com endereço fixo; que a manutenção da sua prisão é ilegal,
pois teria direito a liberdade mediante pagamento de fiança, não vedada
nos arts. 323 e 324 do CPP; que, ante a ausência de hipótese de prisão
preventiva, cabem as medidas cautelares do art. 319 do CPP, com a
redação que lhe emprestou a Lei n. 12.403/2011. Requer a concessão da
liminar para efeito de simplesmente relaxar a prisão em flagrante ou, em
última hipótese, o arbitramento de fiança, reduzida em 2/3, ou, ainda,
outra medida cautelar, em todo caso expedindo imediatamente o alvará de
soltura.
Com a inicial vieram os seguintes documentos: cópia da identidade
médica do paciente; cópia do extrato de conta de luz em nome da mãe de
Maria de Jesus Martins Vieira; cópia da decisão do Juiz Plantonista de
Teresina, declinando da competência para apreciar a regularidade do
flagrante em favor do Juízo de Altos - PI; cópia do auto de prisão em
flagrante.
É o relatório. Decido:
Cabível a apreciação do pedido de liminar no plantão judiciário,
nos termos do art. 2º, § 1º, da Resolução nº 11/2010 do egrégio Tribunal
de Justiça do Estado do Piauí, porquanto a decisão contra qual se
insurge o presente Habeas Corpus é datada de hoje (09 junho de 2012–
sábado).
Duas são as premissas de partida da impetração: 1ª) A ilegalidade
da prisão, porque os crimes atribuídos ao paciente autorizariam a
liberdade provisória, com ou sem fiança; 2ª) o perigo da demora
provocada pela remessa dos autos à Comarca de Altos – PI, retardando por
03 dias a prisão do paciente. A consequência desejada: o
restabelecimento imediato da sua liberdade.
A segunda premissa, à toda evidência, é, em parte, procedente.
No Estado de Direito, tal qual a República Democrática brasileira, a
liberdade é um direito fundamental (Art. 5º, caput, CR) e o acesso ao
Poder Judiciário é uma garantia de efetividade desse direito (Art. 5º,
XXXV, CR - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito). Se não fora assim, o direito de liberdade, como de
resto todos os demais direitos fundamentais negativos, seria uma mera
proclamação política, desprovida de imperatividade e de efetividade.
Assim, o paciente, de fato, tem o direito de submeter o ato
administrativo estatal que comprime a sua liberdade (o auto de prisão em
flagrante) ao crivo da autoridade judiciária competente, como, aliás,
garantido pelo catálogo de direitos fundamentais da Constituição da
República:
Art. 5º (...):
(...)
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o
local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária.
Acontece que a atividade jurisdicional do juiz de direito não é
universal, se encontra limitada pelas regras de competência. Daí a
afirmação categórica de que a competência é a medida da jurisdição.
Os crimes de que se ocupou a prisão em flagrante se materializaram
no município de Altos-PI, logo o juízo daquela Comarca é o
constitucionalmente competente para receber a comunicação do flagrante e
decidir sobre a legalidade ou não da prisão do autuado. É o que se
infere dos termos do Código de Processo Penal:
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em
que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que
for praticado o último ato de execução.
Assim, à partida, o Juiz de Direito Plantonista da Comarca de
Teresina – PI não praticou nenhuma arbitrariedade ou abuso de poder ao
não conhecer de uma causa para qual não goza de competência.
Em todo caso, como o paciente tem direito à submissão de sua prisão
em flagrante ao crivo do Poder Judiciário, e diante da confessada
impossibilidade material de apreciação, na data de hoje, pelo Juízo da
Comarca de Altos – PI, autorizando o acesso à instância seguinte, no
caso a este Tribunal, passo a analisar a procedência ou não da primeira
premissa que dá sustentação ao pedido de habeas corpus: A ilegalidade
da prisão, porquanto os crimes atribuídos ao paciente, segundo os
impetrantes, autorizariam a liberdade provisória, com ou sem fiança, ou
cautelar diversa.
Para dar voz de prisão ao paciente o condutor lhe imputou os fatos
que assim descreveu perante a autoridade que presidiu o flagrante:
“... quando foi informado pela central de operações da policia
federal e usuários da rodovia, de que tinha ocorrido um acidente na
Volta do Capote, na BR 343, Km 302 e que um dos condutores envolvidos
havia evadido-se do local e estava dentro de um veículo Fiat Pálio de
placa NIQ -8350 que vinha em direção a Teresina; que o referido veículo
foi abordado pelo depoente PRF M NETO e dentro do veículo encontrava-se
quatro ocupantes e perguntado se algum deles era condutor do veículo
Hilux e que tinha se envolvido em um acidente com vítima, todos negaram;
que foi solicitado a identificação pessoal de todos os ocupantes,
sendo que o individuo MARCELO MARTINS DE MOURA era o proprietário do
veículo HILUX de placa OEG – 3479/PI, veículo este envolvido no
acidente; que diante da comprovação da propriedade do veículo do Sr.
MARCELO MARTINS DE MOURA além de ser proprietário era o condutor do
veículo em questão no momento do acidente; que além do mesmo foi
identificado o individuo LUCAS MARTINS DE MOURA irmão do causador do
acidente que encontrava-se no veículo como passageiro no momento do
aciente;, e que os outros dois indivíduos ocupantes do veículo Fiat
Pálio, abordado naquela ocasião, identificados como sendo ANTIÊ DOUGLAS
LOPES e um outro com o nome RAFAEL VINICIUS DE SOUSA PITTA afirmaram ter
dado apenas uma carona aos dois irmão que se encontravam na beira da
estrada afastados do local do acidente; que o condutor MARCELO MARTINS
DE MOURA apresentava sinais visíveis de estar sob efeito de álcool; que
foi solicitado do mesmo a realização do teste de alcolemia por meio do
etilômetro, o que foi recusado..”
A primeira testemunha do flagrante, PRF Tony Carlos Mauriz
Cavalcante, depois de confirmar o depoimento do condutor da prisão,
asseverou:
“...que o acidente foi do tipo colisão frontal, em uma curva com
faixas contínuas e que a HILUX no momento da colisão transitava na
contra-mão e deu causa à colisão frontal, uma vez que o outro vêículo
Fiat Siena, transitava em sua faixa normalmente...”
“...em conversa com o Sr. MARCELO MARTINS DE MOURA, condutor do
veículo HILUX causador do acidente o mesmo relatou que estava no Pq. De
Exposição Nina Alencar e retornava para Teresina, e que havia ingerido
bebida alcoólica antes do momento do aciente; que juntamente com os PRFs
M. NETO e JJORGE COSTA, conduziu o indivíduo MARCELO MARTINS DE MOURA
para esta central para o procedimento legal pelos crimes de homicídio
culposo ao volante de cinco pessoas, por não prestar socorro a vítima de
acidente de trânsito e por não adotar providências após o acidente e
não identificar-se aos policiais...”
Em resumo, os fatos que pesam contra o paciente, em tese, são: 1)
Assumir a direção de veículo automotor após a ingestão de bebida
alcoólica; 2) Dirigir pela contramão de direção, à noite e em faixa
contínua (curva); 3) Colidir frontalmente contra veículo que transitava
normalmente em sua mão de direção, causando a morte de cinco pessoas,
dentre elas uma criança; 4) Deixar de prestar socorro, mesmo sendo
médico; 5) fugir do local dos fatos; 6) Negar a autoridade policial sua
condição de proprietário e condutor do veículo abalroador; 7) Se negar
ao teste de alcolemia.
Interrogado pela autoridade policial, o paciente preferiu o silêncio a contar sua versão dos fatos.
A autoridade policial, segundo a nota de culpa, o indiciou pelos crimes dos arts. 302, 304 e 305 do CTB.
Pelas novas regras do Código de Processo Penal (Art. 310), ao
receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente: I
- relaxar a prisão ilegal; ou II - converter a prisão em flagrante em
preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste
Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas
cautelares diversas da prisão; ou III - conceder liberdade provisória,
com ou sem fiança.
No caso em exame, não vislumbro a possibilidade de o juiz relaxar
(anular) o flagrante, pois ele atende a todas as formalidades
intrínsecas e extrínsecas dos arts. 301 a 306 da lei processual própria.
Aliás, isso nem foi objeto que questionamento pela defesa.
A liberdade provisória, com ou sem fiança, ou outras medidas
cautelares, não serão concedidas quando presentes os motivos que
autorizam a decretação da prisão preventiva (art. 324, IV c/c art. 312
do CPP).
Inobstante o delegado tenha classificado as condutas do acusado
como delitos de trânsito, o acusado, como é cediço, se defende dos fatos
e não da capitulação dada ao crime (STF, HC 106.172).
Leitura do auto de prisão em flagrante, a meu sentir, não autoriza
concluir, com segurança exigida para o momento, que o paciente agiu
apenas com culpa. Ainda não está afastada a hipótese de o Ministério
Público, titular da ação penal, enxergar dolo eventual (previsibilidade
do resultado) na conduta do paciente, vindo a denunciá-lo por cinco
homicídios dolosos em concurso formal (Art. 121 c/c art. 18, I, parte
final, do CP), tais como: assumir a direção de veículo automotor após
a ingestão de bebida alcoólica, mesmo, como médico, tendo plena
consciência dos riscos; dirigir pela contramão de direção, à noite e em faixa contínua (curva).
Assim, é precipitado se dizer que o paciente incidiu em homicídio
culposo, na direção de veículo automotor, ou em homicídio doloso (dolo
eventual), sendo o veículo um mero instrumento do crime.
Em tese, portanto, o pressuposto do Art. 313, I, do CPP, não está afastado.
Se ao cabo das investigações restarem indícios do dolo eventual, de
modo a autorizar a instauração da ação penal pelos crimes de homicídio
doloso, não tenho dúvida que as condutas do paciente: deixar de prestar
socorro, mesmo sendo médico; fugindo do local do crime; e negando a
autoridade policial sua condição de proprietário e condutor do veículo
abalroador, somadas à própria gravidade concreta dos crimes (cinco
vítimas de uma mesma família, uma delas criança), autorizam a prisão
preventiva, seja para prevenir a efetiva aplicação da lei penal, seja
como garantia da ordem pública (art. 312, do CPP).
Em virtude do exposto, não vejo relevância no direito alegado – o
direito à liberdade provisória, com ou sem fiança, ou a outra medida
cautelar diversa -, sendo a custódia cautelar o paciente, no momento,
até recomendada, daí porque, não ocorrente nenhuma das hipóteses do art.
648 do CPP, indefiro o pedido de liminar.
Comunique-se imediatamente esta decisão ao Juiz de Direito da
Comarca de Altos -PI e encaminhe-se, no primeiro dia útil, este habeas
corpus à regular distribuição.
Publique-se.
Teresina/PI, 09 de junho de 2012.
Desembargador ERIVAN LOPES - Plantonista ]
Desembargador ERIVAN LOPES - Plantonista ]
Fontes: cidadeverde e 180graus
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