Tom Oliveira -
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Presidente do STJ diz que " "Não podemos deixar cada tribunal decidir como quer",
Após a abertura do encontro de presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil, ocorrido na quinta-feira (21/2) no Tribunal de Justiça de São Paulo, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, defendeu que sejam observadas as súmulas e decisões cristalizadas nos julgamentos repetitivos. "Não podemos deixar cada tribunal e juiz decidir como quer", disse o ministro.
"Se tivermos 200 entendimentos, ninguém saberá o que fazer", diz Noronha Gustavo Lima
"O Brasil precisa de um padrão legislativo e um padrão a ser observado para que o jurisdicionado possa se pautar e se comportar conforme o entendimento do Judiciário. Agora, se tivermos 200 entendimentos, ninguém saberá o que fazer. Tornar-se-á um país de malucos", afirmou Noronha.
O ponto de vista do ministro é minoritário entre a magistratura segundo os dados divulgados pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) no início deste mês. De acordo com pesquisa, 52% dos juízes de primeiro grau entendem que não devem se pautar por jurisprudência. Até mesmo entre os ministros essa opinião é comum: 55% dos 20 entrevistados pelo levantamento concordam que o magistrado deveria poder decidir sem se pautar necessariamente pelo sistema de súmulas e precedentes vinculantes.
A livre interpretação das súmulas é uma crítica frequente ao tribunal paulista. Em evento da ConJur para debater os 30 anos da Constituição, o presidente do STJ repreendeu o vice-presidente do TJ-SP, Artur Marques, por sua posição de que os julgamentos devem ser analisados caso a caso. Noronha disse que as instâncias inferiores têm a obrigação de seguir as súmulas, que a rebeldia de São Paulo resulta em uma enxurrada de processos nos superiores e que o TJ-SP tem uma dívida por não seguir o entendimento de concessão de Habeas Corpus.
Mas no evento de ontem, o presidente do STJ evitou afirmar que o TJ-SP seja particularmente propenso a "ignorar" os tribunais superiores. Ele inclusive elogiou o diálogo institucional aberto pelo TJ na atual gestão. "O STJ tem um ótimo diálogo com todos os tribunais e com o TJ-SP não poderia ser melhor, principalmente com o presidente [Manoel Pereira] Calças, que é meu amigo de muito tempo e um brilhante presidente com atuação institucional elogiável", garantiu.
Noronha ressaltou que o papel constitucional do STJ é assegurar a inteireza do ordenamento jurídico, dando a última palavra em interpretação da lei infraconstitucional e unificando a jurisprudência dos tribunais. "A nossa preocupação é com o portar do jurisdicionado, para que ele possa agir em um ambiente de segurança jurídica. Para que o investidor possa chegar aqui no Brasil sem temor e as empresas saibam precificar suas operações sem correr riscos não previstos no ordenamento jurídico".
O ministro disse que o principal objetivo do Judiciário atualmente deve ser se fortalecer, com medidas que tornem a Justiça mais célere e acessível ao cidadão. Passaria por isso a blindagem diante de pressões diversas, como a sanha punitiva da população posterior às revelações da Operação Lava Jato. "Um Judiciário forte é aquele em que o juiz tenha como único compromisso concretizar os direitos fundamentais da Constituição. E, para isso, deve se imunizar das influências externas. Seja de mídia, das redes sociais, da sua família, de seus superiores etc", apontou.
Cooperação Os presidentes dos diversos tribunais de Justiça dos estados brasileiros continuam reunidos no TJ-SP para debater maneiras de aprimorar a cooperação institucional e fomentar inovação. Será debatido nesta sexta (segundo dia do encontro), o novo regramento e o estatuto do Colégio de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Codepre). "A representatividade e legitimidade do Codepre são etapas fundamentais para o encontro de um novo caminho para o Poder Judiciário, que deve se capacitar para suprir a demanda pela tutela jurisdicional em consonância com os novos postulados da ética", disse Pereira Calças.
Na abertura do evento, corregedor Nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, destacou que as corregedorias e os tribunais precisam ter meios para concretizar uma participação ativa e moderna, tornando-se mais abertos ao diálogo. "A cidadania plena somente será alcançada com um Judiciário forte, acreditado e independente", declarou.
Martins ainda falou sobre a importância do Conselho Nacional de Justiça no fortalecimento do Judiciário. "É um papel fundamental do CNJ e da corregedoria unir o Judiciário".
A advogada Flávia Romano de Rezende tomou posse nesta segunda-feira, dia 5, no cargo de desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio. A nova magistrada fazia parte de lista tríplice encaminhada pelo TJRJ ao governador do Estado, Sérgio Cabral, para ocupar a vaga do quinto constitucional destinada à Ordem dos Advogados do Brasil. Ela entra no lugar do desembargador Gilberto Pereira Rêgo, que se aposentou. O presidente do TJ, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, deu as boas-vidas à desembagadora. “Você já chegou aqui me causando problemas”, brincou, ao citar que havia recebido vários pedidos de Câmaras do Tribunal, solicitando que Flávia passasse a integrar seus colegiados. “Isso é muito bom para todos nós. Seja bem-vinda e seja feliz”, desejou. Com 43 anos, a nova desembargadora advogou por 13 anos na Coca-Cola, sendo os seis últimos como diretora jurídica. Morou em Atlanta, atuando como advogada responsável pelo administrativo e contencioso de mar...
Domingo, 23 de Março de 2025 Tom Oliveira * A mulher que foi presa por ter pichado a estátua do Supremo Tribunal Federal, nos chamados " atos golpistas de 8 de janeiro de 2022, Débora Rodrigues dos Santos, casada, manicure, dois filhos menores, recebeu a pena de 14 anos de prisão do relator, o indefectível Alexandre de Moraes. No depoimento à Polícia Federal, enviado ao STF, Débora contou que uma mulher estava pichando a estátua, mas disse que tinha a “letra feia” e pediu para que a manicure continuasse. Débora escreveu: perdeu mané , cuja frase ficou famosa depois que o ministro Luis Barroso, do STF e amigo de Moraes, teria pronunciado contra pessoas que o incomodava num jantar, em Nova York, isso em 2022. Ressalte-se que a gíria brasileira Mané significa bobo, idiota. Para justificar a alta condenação da moça " mané ", o ministro Moraes foi rebuscar o vernáculo jurídico . Segundo Moraes, "o desencadeamento violento da empreitada criminosa afasta a p...
Sábado, 08 de Junho de 2018 O CNJ vistoriou, entre janeiro e abril de 2018, 33 estabelecimentos penais femininos que custodiam mulheres grávidas e lactantes. As visitas representaram uma ação inédita do Poder Judiciário nos cárceres brasileiros, a fim de verificar as condições das presas gestantes e que estão amamentando. A partir dessas observações dos presídios femininos, a presidente do CNJ, ministra Cármen Lúcia, determinou a criação do Cadastro Nacional de Presas Grávidas e Lactantes e a elaboração de um protocolo de recomendações ao sistema prisional para cuidados padronizados à saúde das detentas gestantes, das lactantes e de seus recém-nascidos nas prisões. Até o encerramento das visitas, no fim de abril, os estabelecimentos penais femininos tinham, segundo os números apurados, 212 mulheres grávidas e 179 lactantes. O Cadastro Nacional das Presas Grávidas e Lactantes, cujos dados vêm sendo divulgados no portal do CNJ desde janeiro deste ano, reflete o interesse da soci...
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