Temer Impassível: Ainda repercute a matança de Manaus...

Quinta Feira, 05 de Janeiro de 2017

Até o papa já falou sobre a matança de Manaus. Temer? Nem um pio


O presidente Michel Temer
Diante da tragédia, Temer prefere o silêncio (Andressa Anholete/AFP)

O papa Francisco fez orações pelas vítimas da rebelião no presídio de Manaus na primeira audiência geral de 2017, realizada nesta quarta-feira. Ao todo, 60 pessoas morreram barbaramente no complexo penitenciário Anísio Jobim após uma rebelião. “Exprimo dor e preocupação pelo que aconteceu. Convido a todos para rezar pelos mortos, pelos seus familiares, por todos os presos daquele presídio e por aqueles que lá trabalham. E renovo meu apelo para que os institutos penitenciários sejam locais de reeducação e de reinserção social e as condições de vida dos presidiários sejam dignas de pessoas humanas”, disse o sumo pontífice.

É difícil entender o que Temer está esperando para comentar as 60 mortes de pessoas sob a tutela do Estado. A tragédia expôs negativamente o país em jornais do mundo todo e o presidente da República não diz uma palavra sobre o assunto. O mínimo que ele poderia fazer seria lamentar e condenar as mortes. Na melhor das hipóteses, poderia anunciar parcerias do governo federal com o Amazonas para sanar a crise, ou ainda um plano nacional para tentar humanizar e controlar o sistema prisional medieval brasileiro. Não fez uma coisa nem outra. Prefere um silêncio constrangedor.

 Temer caladão, mas o seu Ministro da Justiça fala demais...

Ministro da Justiça afirma que governo do Amazonas sabia de plano de fuga

O governo do Amazonas tinha a informação da possibilidade de fugas entre o Natal e o Ano-Novo nos presídios do Estado e não pediu auxílio ao governo federal, afirmou o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, nesta quarta-feira, 4. Segundo o ministro, “até o momento não está caracterizada nenhuma omissão do governo estadual”, que disse ter tomado todas as providências para evitar a fuga. Para Moraes, houve falha da administração do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) mas que “não é possível estender essa responsabilidade para outras autoridades sem investigação” antes do fim das investigações da força-tarefa da Polícia Civil do Amazonas.
“Há relatos de que a Secretaria de Segurança tinha informações de que poderia ocorrer uma fuga, estaria sendo planejada uma fuga, entre o Natal e o Ano Novo. Exatamente por isso, segundo as autoridades locais, foi reforçada a segurança local e eles passaram a monitorar dia a dia”, disse Moraes, que afirmou ter passado de 200 o número de fugitivos.
Investimentos na ordem de R$ 45 milhões foram repassados para o Estado para construção de novos presídios (Foto: Indiara Bessa/G1 AM)Investimentos na ordem de R$ 45 milhões foram repassados para o Estado para construção de novos presídios (Foto: Indiara Bessa/G1 AM)Enquanto isso, a OAB promete...OAB quer responsabilizar Estado por omissão em massacre em Manaus
Membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, o advogado Glen Wilde do Lago Freitas disse estar sendo estudado o meio para que a responsabilização ocorra. "O Estado foi omisso e será responsabilizado criminalmente e civilmente por isso", informou. Para Freitas, a administração sabia do risco de uma briga com execuções entre as facções após a investigação conduzida pela Polícia Federal em 2015 que resultou na deflagração da operação La Muralla.
"Em outubro de 2015, a PF revelou que já se tinha planos para assassinatos de membros do PCC, houve escutas, mas nada foi feito", reforçou o advogado. A posição foi ratificada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção amazonense da OAB, Epitácio Almeida. Ele participou da negociação para libertação de reféns durante a rebelião no Compaj.
"Vivemos aqui a consequência de algo que está desenhado há muito tempo. Vimos isso há três anos, quando houve uma briga e conseguimos evitar as mortes. Mais cedo ou mais tarde voltaria a acontecer", disse do lado de fora do complexo nesta terça. Para ele, o momento deve ser aproveitado para realização de mudanças no sistema penitenciário. "O sistema prisional precisa ser humanizado com políticas de segurança pública efetivas, ressocialização. Que programas temos de ressocialização? Não temos um programa de prevenção da criminalidade no Estado e tudo deságua aqui dentro. Há meninos sem qualquer perspectiva", acrescentou.


Fontes: Clóvis Cunha, Istoé e MSN
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (esq.), ao lado do governador do Amazonas, José Melo, nesta terça-feira.
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (esq.), ao lado do governador do Amazonas, José Melo, nesta terça-feira.

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